"São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor"
Ávares de Azevedo

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Te quero, e que saibam todas as nações

É interessante como certas coisas, mesmo depois de um bom tempo, ainda fazem sentido. Este escrito, bem antigo, ainda hoje diz muito do que penso e sinto, no entanto sob outro foco, outro alguém. Me deparei com ele ao recordar de determinada frase do escrito, e resolvi postá-lo novamente como forma de reverberar uma ânsia que não morre.




Eu grito, por te querer

Com cada célula que vive

Por cada paixão que um dia tive

Pelo meu coração. Que está a arder.

.

Calo, atônito quando então

Cada nervo do teu corpo arrepia

E tua derme que por outro ardia

Volta-se agora ao meu quinhão

.

Pois para mim tu és o calor

De cada criatura que respira

O apaixonado, que então só, revira

Em sua cama por seu amor

.

A existência que me faz seguir

O sentimento pelo qual sou carregado,

Motivo tal que não me faz calado.

Amar-te, e só isso, não me faz partir.

.

Me tens nas linhas de tua mão

Sou todo teu, não há o que negar

Não vou resistir, não quero lutar

Sou teu, como cada estrela da constelação.

.

Minha loucura infinda

Desejo simples ao qual me apego

Amo-te, oh bela! E não nego,

És terra, és água, és linda.

.

Não quero mais desilusão

Quero vida, não mais a morte

Estou entregue a tua sorte.




Eu sou agreste, tu és inundação.

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