"São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor"
Ávares de Azevedo

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Versos para o que inicia


Meu corpo grita quando partes

Agonia em delírios noturnos

Meu corpo grita, desfaz-se na madrugada

Em que não durmo, sonhando acordado com o teu olhar

.

Desejo-te como o sol deseja a lua

Em cada pôr-do-sol, cada fim de dia

A espera daquilo que não vem

Tocar-te nessas noites de solidão

.

Mas se tenho o teu carinho e tuas mãos posso tocar

É a redenção e o paraíso

Perder-me nas linhas da tua boca

E esquecer-me de tudo no calor do teu afago

.

Mais uma vez a noite surge e sonho-te, sonho-te...

E sonharei ainda mais

Pois quando estás em meus braços, sinto

O que vivemos é maior que o firmamento.

sábado, 22 de outubro de 2011

Para a noite que passou

Minhas mãos, envoltas em paixão

Envolvem-te, em afagos e carinho

Por toda a noite, navego no teu olhar

Ao sabor do teu beijo, um paraíso alucinante

.

Teu corpo no meu é um universo expandido

Onde o onírico torna-se realidade

Onde posso viver os vislumbres de outrora

Estes sonhos surreais em que te sinto presente

.

Despertas em mim as belezas do mundo

Ao teu lado a tristeza dissolve-se

És minha alegria, nessas noites de calor

A realidade mais bela desses anos juvenis

.

Resplandecia a alvorada lá fora

E nós, em um casulo surreal

Amávamos em um turbilhão de sentimentos.

Ter-te é esquecer os problemas do mundo.

.

Dormes agora, tranqüila em meus braços

Bela e serena como uma canção.

Te abraço, com toda a força de minh’alma

Em energias vibrantes de te querer

.

Agora escrevo, em linhas de ternura

A noite que foi, os dias que virão

Onde te amar é a mais bela das coisas

Amar-te infinitamente, através das noites, através dos dias.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nessas noites em que te sonho

Seria um sonho, talvez realidade ?

Essa fusão pura de sentimentos

Tal pintura surrealista

Em explosões de cores no meu peito

.

Seria um sonho, mera loucura ?

Não sei, não sei, mas fora real

Sentir o teu beijo como algo único

Exalando a candura dos anjos

.

Seria um sonho? O mais real de todos eles

Pois ao te ver, sorrindo com o olhar

Minha boca encontra a tua,

Criando um universo de carinho

.

E em lampejos de alvura rubra

Vejo imagens, projetadas no espaço

Interlúdios de um sentimento doce

Cobertos por um véu de paixão

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Escrito para um dia perfeito

Nessas noites incomuns

Onde a única canção que escuto

É o som da tua voz

Percebo a força de tudo o que sinto

.

A musa, dantes onírica

Está agora em meus braços

Tornando felizes esses dias juvenis

Onde meu coração descansa sereno

.

Teu beijo carrega o sabor dos anjos

Elevando ao sagrado este pobre infante

Que da vida já provou seus dissabores

E agora jaz em delírios, no afago dos teus abraços.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A longa noite que me leva aos teus braços

E os caminhos que percorro pela noite

Envolvidos na minha lucidez melancólica

Levam a um único lugar

Que é o calor do teu abraço, aconchego dos meus dias

.

Adoeço, quando então

O tempo castiga-me com tua ausência

Pois não posso sentir o toque da tua mão

Tampouco navegar nos teus lábios de ternura

.

Oh, longa noite que ilumina meus devaneios

Que teu pesar seja minha benção!

Transpor os teus véus de escuridão

Para nos braços dela repousar

.

Pois ela é minha fonte de paz

O altar de minh’alegria

Em seu olhar resplandecente

Que incendeia minha alma em ardores de paixão

.

Oh, longa noite que me guia em seus braços

Dá-me tantas horas quanto possas imaginar

Para que sonhando acordado

Eu esteja próximo da perfeição.

.

O teu abraço, o teu sorriso e o teu olhar.

domingo, 16 de outubro de 2011

É esse o meu delírio cotidiano

Me encontro escrevendo coisas sem sentido

Palavras fluem das minhas mãos como a areia que escoa entre os dedos

Todas para ti, sustentáculo das minhas loucuras juvenis

Minha aventura fantástica, que nem os mais belos contos podem descrever

.

Sinto-me um infante, pueril em meus atos

Quando contigo, estou livre de todo o mal

E ao tocar as tuas mãos e sentir a tua pele

O tempo para, transporto-me para esferas celestiais

.

Mergulho no mar dos teus olhos

Esferas de paz que me trazem conforto

Enquanto isso, ouço canções de outros tempos

Que louvam-te, perfeição e sutileza impressas no teu sorriso

.

É esse o meu delírio cotidiano, o mais doce deles

Surfar na minha loucura com o sabor do teu beijo

Entregar-me de corpo e alma aos teus cuidados.

Descansar em teus braços e sonhar.

.

Apenas sonhar.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O que sinto por ti


O que sinto, é acordar pleno e feliz

Abrir os olhos e deparar com tua imagem

Pensar que nada mais na vida importa

Salvo os teus olhos, o belo motivo do meu sorriso

.

O que sinto não cabe em mim

Mas pode ser medido com pequenos momentos

Pois ao te olhar e perceber que respondes

Perco o chão, em um êxtase profundo

.

É um sentir-se bem ao teu lado

Onde tudo perde o foco e és meu plano em detalhe

Em um sorriso luminoso que atinge meu coração

Que grita, entre pulsos de paixão

.

É uma explosão de alegria, quando estou ao teu lado.

Contemplar-te


Está escrito, nas entrelinhas das minhas mãos

Em cada estrela que compõe o firmamento

Que em ti é onde encontro minha brandura

Porto seguro dos meus sonhos juvenis

.

E ao andar pelas ruas, entre faces plúmbeas de rancor

Em meio a seres frios, desprovidos de leveza

Te encontro sublime, como as castas angelicais

Em cores vivas, que somente os meus olhos conseguem ver

.

Seria sonho, mera ilusão?

Não, é tão real como as coisas que sinto

O rufar do meu coração como tambores do infinito

E um desejo incansável de contemplar-te

.

És minha benção, minha loucura e alegria

O motivo pleno dos meus versos

Que dantes, reclusos, doravante livres

Para cantar-te, como cantam os jovens aos seus amores

.

Pois tenho em ti, a fonte inesgotável de minhas poesias

É o teu olhar que me fita na escuridão

É por ti, que canto pela noite

Entre horas nuas, pela noite solitária

É por ti que canto, minhas doces melodias

Em perfeita sintonia com o teu sorriso

.

Fazes de minhas noites alegria

Pois tenho o teu olhar, me fitando na escuridão

Que, luminosamente, me invade

Tal estrela que és, dissipando minha angústia

.

É um blues soturno, que ecoa na madrugada

Que te canta apaixonadamente, me atingindo por inteiro

Arrebata-me, no arrabalde da minha vida

Unindo o meu pensamento ao teu, nessa onírica sinergia

.

E que esses versos que escuto e as palavras que te canto

Alcancem o teu coração, na alvorada que anuncia

Essa louca necessidade de te ter

E poder adormecer no teu afago angelical



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Confortávelmente entorpecido

Cada neurônio agora explode

Como pequenas bombas nucleares da minha cabeça

Ah, como dói essa tua ausência

Em noites desconexas de solidão

.

Essa psicodelia em preto e branco

Esmaecida por páginas amareladas do tempo

Que não corre, ante as faces da inverdade.

Não te ter é cair no esquecimento.

.

É como naufragar em abismos de torpor

Onde tua imagem reverbera em cada instante

Em que perco a sanidade a tua procura

E não estás. Minha musa onírica e distante

.

Esse turbilhão inconstante de casualidades,

Paralaxe confusa que converge no teu nome

E chego onde minha voz não alcança

No vão afã de repousar em teus braços.



Mais uma noite que chove, e eu aqui, escrevo
Nessa solidão incomum, causticante
Que conspurca meus sentidos e amputa minha dor.
.
Melancolia sombria nessas noites sem lua.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Te quero, e que saibam todas as nações

É interessante como certas coisas, mesmo depois de um bom tempo, ainda fazem sentido. Este escrito, bem antigo, ainda hoje diz muito do que penso e sinto, no entanto sob outro foco, outro alguém. Me deparei com ele ao recordar de determinada frase do escrito, e resolvi postá-lo novamente como forma de reverberar uma ânsia que não morre.




Eu grito, por te querer

Com cada célula que vive

Por cada paixão que um dia tive

Pelo meu coração. Que está a arder.

.

Calo, atônito quando então

Cada nervo do teu corpo arrepia

E tua derme que por outro ardia

Volta-se agora ao meu quinhão

.

Pois para mim tu és o calor

De cada criatura que respira

O apaixonado, que então só, revira

Em sua cama por seu amor

.

A existência que me faz seguir

O sentimento pelo qual sou carregado,

Motivo tal que não me faz calado.

Amar-te, e só isso, não me faz partir.

.

Me tens nas linhas de tua mão

Sou todo teu, não há o que negar

Não vou resistir, não quero lutar

Sou teu, como cada estrela da constelação.

.

Minha loucura infinda

Desejo simples ao qual me apego

Amo-te, oh bela! E não nego,

És terra, és água, és linda.

.

Não quero mais desilusão

Quero vida, não mais a morte

Estou entregue a tua sorte.




Eu sou agreste, tu és inundação.

Teu olhar oceânico

Eu pego carona no teu sorriso

Nessas manhãs claras que o sol ilumina

Tal teu olhar, resplendor oceânico

Que faz de minhas noites devaneio

.

Em cada linha, cada curva da boca tua

Perco-me, em delírios mil

Divagando no sabor da tua tez

Em um êxtase profundo de te querer

.

Me és distante, onírica paixão

E ao aproximar-me de ti, o desatino

De ter o teu toque e o teu arfar

Mas não sentir-te, como sinto-te em minh’alma.

.

Loucura branda, essa minha agora

Mas alucinado sigo noite adentro

A te jurar, mil juras de ilusão

De querer-te ao meu lado, e pela noite navegar.

domingo, 24 de julho de 2011

Eu choro agora

Uma angústia amargurada

Que sufoca nas noites vazias de tua ausência

Preenchendo o cinza que compõe o meu peito



É uma solidão delirante, irreal

Que vislumbra o sonhar psicodélico de um amanhã

Manchado pela tua volúpia

Violado pela tua carne lasciva



São noites, longas noites

Uma nostalgia de algo que não tive

A sensação densa do teu olhar palpitante

Na janela luminosa da minha vida



Afogo na noite a tua procura

E em lábios de não querer

Em afagos de não sentir

Perco-te, entre as ruas da minha mente



É uma solidão ingênua, pueril

Que invade meu universo dilacerado

Expandindo um vazio que jaz presente

A tua espera, neste nicho de amor e perdição



E se a tua porta eu não bater

E a tua boca, meus lábios não tocarem

Fora o meu sonho a tua loucura

O sonho de te ter nessa noite fria de solidão

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Versos para uma noite fria


Morrerei de dor, não de paixão

E junto deixo este escrito

Antagônico do erudito

Dissolvido pelo chão

.

Morrerei de fome

Na beira da estrada

Vendo alguém na sacada

Não dizer o meu nome

.

E se por sorte ocorrer

Tão só assim vou morrer

Sozinho na escuridão

.

Pois jaz a alvorada sombria

Minguando minha letargia

Aumentando minha solidão

domingo, 1 de maio de 2011

Para uma noite de devaneio

Escrito antigo, se não me falha a memória, do início de 2010, redescoberto por acaso.




Noites inteiras em claro

Entregue aos encantos do desenho

Chega o sono, mas eu não paro

Entregue ao único amor que tenho

.

Além de mim, outros mais estão

Petrificados qual como pela Medusa

O ruído que reina é feito pela mão

E o pensamento voa em outros ares, outra musa.

.

A turba logo adiante festeja

São Pedros, Marias, Joanas

Enquanto eles bebem álcool e cerveja

Nós aqui desenhamos curvas humanas

.

Porém chega o momento de parar

Pois o sol raiou, e junto o dia

E nessas horas ponho-me a chorar.

Não poder desenhar é minha agonia.







domingo, 24 de abril de 2011

Canto de um derrotado




Brado em gritos, minhas dores sem sentido

Dores sentidas de um sentir desvairado

Sentimentos de um existir anulado

De um existir que aqui jaz corroído

.

Entre cacos de vidro e trajando farrapos

Rastejo, lentamente, em busca do fim

Abreviando uma vida ruim

Abreviando esta vida desfeita em trapos

.

Pois o fim não é tudo, e além ainda é dor

Essa dor desmedida que arde no peito

Essa mistura perfeita de ódio e rancor

.

Pois se a derrota torna tudo desfeito

Onde há de brilhar a estrela do amor

Senão no nada branco e imperfeito?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Azul

Tão delicados, atmosféricos

Tais como flocos, em branca alvura

São o meu doce pedaço de ternura

Causa de meus poetares homéricos

.

Toco-lhes, e junto a ti, surge o delírio

Nesses oníricos fios de ousadia

Causa de minha louca epifania

Prova deste lânguido martírio.

.

E adentro noites de insônia a desbravar

Os azulados versos do teu velo

Que atam-me a ti, em tão seguro elo

Tornando uno, o que dantes era par

.

Eis o que tira-me nesta madrugada a calma

São os delicados fios dos teus cabelos

Oh, desilusão, quem dera tê-los!

Nesta noite fria que gela a alma.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Para ela

Ontem eu vi, ou sonhei que sentia

A tua mão na minha, doce e macia

Que suave, sorria

E chorou, fruto da tirania.

.

Sucumbiu pela voz que bradava

Desista logo! Tal voz suplicava

- Não vale a lágrima, sequer a fava.

Desista! Eis a voz que ordenava

.

E tu, pobrezinha, viu então

A ruína que te causou desolação

E a mim, ofertasses o perdão

Altruísmo teu, estendesses a mão.

.

E a minha mão, a tua a tocar

Sorri ainda alegria limiar

Ter teu amor, e poder desbravar

Os teus olhos, tais a imensidão do mar.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

21

Um bom natal a todos. Quanto a mim, nesta data incomum, todos os anos, envelheço mais um pouco.

Fica um poema, o último deste ciclo, que tantos outros surjam por aí.





Como a água, que das pedras vinga

Essa dor viscosa e purpúrea

Impõe-me tormenta hercúlea

Que tal sangue, gota a gota, pinga.

.

Escorre pela fronte, e o corpo banha

Ungindo de rancor e tristeza

Onerando minh’alma a pobreza

Eis minha desventura tamanha

.

Tantos anos se foram e consigo a alegria

Estes ciclos partiram e eu fico a seguir

Nesta trilha de dor e tirania.

.

Viver sem viver e respirar sem sentir

De que vale essa tal energia

Se existo sem sequer existir?

sábado, 18 de dezembro de 2010

Eles morreram

Os velhos profetas

Os falsos poetas

Todos morreram


Eles morreram

Caim e Abel

Platão e Noel

Todos se foram


Um nada reinou

Na tua voz de menina

Na escuridão da retina

O teu eu dissolveu


E nada restou

Além desta dor

Nem as juras de amor

Deste que vos fala



Que sequer existiu.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Depois de um bom tempo revendo conceitos, reciclando ideias e renovando o meu processo criativo, volto a manter este espaço, recheando-o com minhas breves oscilações criativas.


Agradeço ao amigo Rody Cáceres pela constante insistência pela retomada do blog.


Vamos adiante então.



Buenas noches y que siga la fiesta.

Poeta


Sou um maldito,

E sem escrever,

Sou um desdito

Sozinho a morrer.

Sou um farrapo

Que vive a bradar

- Sou como um trapo

Humano a andar!

E de nada me vale

Saber poetar

Se antes que eu fale

Me mandam calar

E se fui um poeta

Hoje, não sou.

Sou errante sem meta!

Em cada eco que dou

Sou um falso profeta

Um escritor que voou.

sábado, 11 de setembro de 2010

Mudo na madrugada


Fiz da vida excedente

Excludente solidão

Viajando em minha mente

Devaneando sobre a gente

Ébrio e só na escuridão

.

Danço eu nessa loucura

Entre gritos de delírio

Para o amor não fiz a jura

Não vou viver essa augura

E sufocar nesse martírio

.

Embriagar mil vezes mais

Ao som de Iggy no vinil

Pois para mim já tanto faz

Se vivo em guerra, se tenho paz

Ou multiplico a dor por mil

.

E se morrer, já vou bem tarde

Pois para mim nada aqui resta.

A madrugada em mim arde

Enquanto morro em um alarde

Morrendo só sem fazer festa.

Lua

Oh lua, que, banhada em beleza

Unge os olhos perdidos de um poeta

Que em linhas rotas de falso profeta

Exibe sua dor em acre tristeza

.

Em suas rimas calamitosas em carinho

Extrai em sangue seu amor pela musa

Que distante, faz uma mente confusa

Esvair-se em palavras, em pesar desalinho

.

Mas se por ti essa dor amiúde

Tornar-se um amor gigantesco assim

Beberei em teus lábios, como em açude

.

Pois carece ainda dentro de mim

Ter o amor que um dia não pude

Ter o amor que não veja o fim.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Navegante


Eu navego em um rio cálido

Várias noites a tua procura

Navegando na minha loucura

Com este rosto indócil e pálido

.

Navegarei mais ainda até que

Sozinha, minha nau vá a deriva

E eu sinta o odor suave da oliva

Em um paraíso que ninguém vê.

.

E lá estarás, de braços abertos, a espera

Do sentimento pleno que transcende a dor

Transformando vendaval em primavera

.

Dissipando assim todo o rancor

Tornando palpável esta quimera

Quimera esta farta em amor.